Onde o concreto renasce em poesia: a teimosia iluminada do Viaduto da Borges
Existe um encanto quase secreto na capacidade que Porto Alegre tem de se reinventar. Quando a rotina pesa e a cidade parece caminhar para a penumbra, algo surpreendente acontece nas suas esquinas. O Centro Histórico, tantas vezes julgado como decadente, recusa-se a apagar. Ele teima. E nessa teimosia bonita, a vida se acende onde menos se espera. O Viaduto Otávio Rocha — nosso eterno Viaduto da Borges — é a síntese perfeita desse espírito. Patrimônio vivo da nossa história, suas arcadas imponentes de concreto parecem ganhar um novo ritmo quando a noite cai e a lua cheia se projeta no céu, recortando as nuvens e iluminando o movimento lá embaixo. É uma metamorfose contínua ao longo das horas. No fim da tarde, a saída do trabalho ganha o alívio das mesas na calçada. O happy hour vai se estendendo entre conversas, risadas e copos erguidos. Por volta das nove da noite, o clima se transforma: o murmúrio da multidão acolhe jantares à luz de velas e encontros afetivos. E quando as onze badala...