9 de fev. de 2026

O amor e os filósofos

 O amor verdadeiro não é leve.

Na psicanálise, amar é confrontar idealizações.

Freud já dizia que, no começo, projetamos no outro aquilo que desejamos ver.

É por isso que o início parece leve., mágico, perfeito.

Com o tempo, a idealização cai. 

Lacan chamaria isso de encontro com o real do outro: imperfeito, complexo, humano.

É aqui que o amor deixa de ser conto e fadas e começa a ser possível de fato.

Para Winnicott, amor verdadeiro envolve "preocupação" : a capacidade de reconhecer que o outro tem necessidades e limites.

Isso exige maturidade emocional e isso nunca é leve.

Na visão psicanalítica, os conflitos não são sinais de falta de amor, mas da existência de duas histórias,  dois desejos e dois mundos internos tentando se relacionar.

É impossível que isso seja sempre suave.

Amor real é decisão contínua de sustentar o vínculo, cuidar, reparar, comunicar e permanecer mesmo quando o desejo oscila.

O amor não é o fim da dor, é um espaço onde enfrentamos a dor juntos.

Isso é muito mais real, profundo e transformador do que qualquer fantasia romântica. 

O amor verdadeiro não promete leveza constante, mas crescimento, encontro e construção. 

Se você cair eu vou te levanto. Mas caso eu não consiga, eu deito ao seu lado e espero você se sentir bem pronta pra levantar.



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