O Dia em que a "Produção" da Viagem nos Abriu as Portas do Louvre

 

Louvre, Paris, museu

Era o primeiro domingo de novembro em Paris. Quem conhece a dinâmica da cidade sabe o que isso significa: acesso livre aos museus mais disputados do planeta e, consequentemente, filas monumentais que dobram as esquinas e testam a paciência de qualquer viajante. Olhando de cima, o pátio do Louvre parecia um formigueiro humano contornando a icônica pirâmide de vidro.

Museu, Louvre, Paris

Louvre, Paris, Museu


​Estávamos ali, resignados com a longa espera, quando a magia que só os caminhos imprevisíveis da viagem proporcionam aconteceu.

​Sem qualquer explicação racional, uma senhora — daquelas figuras misteriosas e gentis que parecem brotar do cenário quando mais precisamos — aproximou-se. Com um gesto discreto, ela abriu uma entrada oculta, daquelas passagens de serviço que passam despercebidas pela multidão, e nos convidou com um olhar: “Saiam da fila e entrem por aqui”.

Museu, D'Orsay,  Paris


​Até hoje não sabemos o motivo. Não sabemos se foi simpatia, sorte ou o destino. Mas, desde aquela época, aprendemos a agradecer à nossa mítica "produção de viagem". Essa força invisível que opera nos bastidores dos nossos roteiros e que transforma o cansaço em poesia.

​É a mesma "produção" que, horas mais tarde, após quilômetros caminhados entre as esculturas do Museu d'Orsay e as galerias parisienses, colocou duas daquelas icônicas cadeiras verdes, estrategicamente vazias e sob a sombra perfeita, em frente ao imponente Palácio do Luxemburgo. Duas cadeiras que pareciam ter sido reservadas exclusivamente para nós, um convite silencioso para descansar as pernas e digerir a imensidão da beleza que tínhamos acabado de testemunhar.

​Neste Dia Internacional dos Museus, a minha homenagem não vai apenas para os acervos inestimáveis, para as estátuas equestres que desafiam o tempo ou para a genialidade de Da Vinci e Rodin.

​Minha homenagem de hoje vai para os bastidores. Para os pequenos milagres cotidianos da jornada. Para as portas secretas que se abrem e para as cadeiras vazias que nos esperam no fim do dia.

​Viva a arte, viva os museus e, acima de tudo, viva a nossa incansável "produção"!

​E você, já teve um momento mágico ou um "santo protetor" que salvou o seu dia em alguma viagem? Deixe nos comentários!

Palácio de Luxemburgo, Paris


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