De Pai para Filho: O Sabor do Rio e a Nostalgia dos Trilhos em Rio Pardo
Existem sabores que a gente não conhece pela boca, mas pelas histórias que ouve na infância. Nas minhas andanças como Preposto, o destino me levou a Rio Pardo. Com uma tarde inteira de espera até a audiência marcada para a noite, vi-me diante da oportunidade de testar uma memória que meu pai, antigo maquinista, sempre compartilhava.
Ele contava que, quando o trem parava em Rio Pardo, não havia negociação: o destino era a beira do rio para comer um peixe fresco. Mesmo já tendo passado da hora do almoço, resolvi seguir o rastro desse "velho trilho" e bati na porta certa: a Costaneira Rio Pardo, na Praia dos Ingazeiros.
Ali, o tempo parece rodar mais devagar. Enquanto saboreava o peixe — exatamente como meu pai descrevia — as histórias começaram a brotar. Conversando com o pessoal local, ouvi relatos que certamente ele vivenciou nas suas jornadas ferroviárias. Foi impossível não recordar das férias em que eu tinha o privilégio de viajar na "máquina" (na locomotiva) com ele, vendo o Rio Grande do Sul passar por um ângulo que poucos conhecem.
A herança segue viva.
Hoje, vejo a Sofia no GAG Piazitos do Sul, honrando esse mesmo chão que meu pai desbravou sobre trilhos e que eu percorri entre tribunais e altares. Ver a nova geração cultuando nossas raízes é a prova de que as "voltas e idas" da vida sempre nos trazem de volta para o que é essencial: a família e a nossa história.
Rio Pardo não me deu apenas uma boa refeição; deu-me um reencontro. Em breve, dedicarei um capítulo especial aqui no blog apenas para as memórias de dentro da locomotiva. Por enquanto, fica o convite: se passar pela Praia dos Ingazeiros, pare. Ouça o rio. Sinta o gosto. Há muita história guardada na beira das águas.
A leitura tem lugar aqui. A memória também.


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Que lindo! Amei as fotos. Saudade de um peixinho de verdade...
ResponderExcluirObrigado! Sim, ancestralidade e boa mesa andam juntos por aqui!
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