Na Capital do Pampa e na Lei da Confiança: Minha Noite em Caçapava do Sul

 

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Caçapava do Sul não é apenas a segunda capital farroupilha ou a terra do imponente Forte Dom Pedro II; é um lugar onde os valores da campanha ainda ditam o ritmo da vida. Em uma das minhas andanças, vi-me preso na cidade ao cair da noite. Sem transporte para sair e, para completar o "aperto", descobri que não havia como sacar dinheiro naquela hora.

Com fome e sem rumo, fui desbravar o centro e acabei por encontrar um restaurante. A fome era grande, mas a transparência precisava ser maior: antes mesmo de sentar, expliquei a situação aos proprietários. "Olha, eu não tenho como pagar o jantar agora, mas amanhã cedo faço o depósito bancário sem falta."

No mundo moderno, isso soaria como um absurdo. Mas ali, em Caçapava, a resposta veio com a naturalidade de quem entende de gente. Não só aceitaram a "promessa" como revelaram que também eram donos do hotel. O resultado? Fiz uma refeição de rei e fui encaminhado para um quarto confortável, tudo baseado na palavra de um viajante.

A palavra empenhada.

No dia seguinte, honrei o compromisso, claro. Mas o que ficou guardado não foi o valor do depósito, e sim a lição de que, no interior do nosso estado, a confiança ainda é a moeda mais forte. Conheci um pouco mais sobre essa riqueza escondida entre as cerros e as pedras de Caçapava, e saí de lá com o peito cheio de orgulho do nosso povo.

Se o Forte Dom Pedro II protege a história militar, o coração dos caçapavanos protege o que temos de mais valioso: a acolhida.

Viva o Rio Grande do Sul! Viva Caçapava do Sul!



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