O Humor de um "Seu Pedro" e a Ciência do Café: Bastidores do Algarve
Se hoje eu ando pelas vinícolas da Serra Gaúcha observando a gestão e o design, é porque o meu "dever de ofício" lá atrás, em Portugal, foi uma escola intensa. Na Praia da Rocha, no Algarve, minha rotina começava lustrando garrafas de Vinho do Porto Branco 12 anos — uma suprema surpresa para o paladar — e degustando (profissionalmente, claro) conhaques envelhecidos cujas doses passavam facilmente dos 10 euros.
Mas a verdadeira Linha de Fogo era uma imponente, reluzente e temperamental máquina de café italiana.
"Sobrevivendo, Eder?"
Para quem vê de fora, café é só café. Para quem opera no balcão português, é uma ciência: curto, descafeinado, chávena escaldada, carioca de limão... E para tirar o próximo lote, era preciso bater o cachimbo da máquina com força para a borra sair. Pá! Um barulho seco que parecia doer na alma do equipamento.
O Seu Pedro, herdeiro e proprietário da casa, dono daquele humor português clássico que só amacia depois do almoço, chegava logo cedo e perguntava:
— Eder, como está?
Eu, cheio de disposição brasileira, respondia:
— Aprendendo cada dia mais, Seu Pedro!
E ele, sem desmontar a expressão:
— Não, homem. Não perguntei por ti. Perguntei se a máquina de café ainda está sobrevivendo aos teus golpes...
A Sacada de Gestão com a Líder de Mercado
Eram centenas de cafés por dia. Olhando para aquela montanha de borra que ia para o lixo, o olho de gestor começou a incomodar. Numa tarde, conversando com o representante da Delta — a gigante e líder de mercado de cafés por lá —, joguei a pergunta: "Não dá para reaproveitar isso?"
A resposta dele foi uma aula de inovação moderna: a Delta comprava a borra de volta. Além de ser um dos melhores adubos orgânicos do mundo, eles já dominavam a tecnologia de transformar a fibra do café em xícaras ecológicas e utensílios modernos, substituindo a louça clássica.
Fui correndo levar a oportunidade de receita e sustentabilidade para o Seu Pedro. Mas, claro, esperei passar das duas da tarde. Como eu já tinha aprendido a ler os ponteiros da casa, sabia que o humor ibérico é um antes do bacalhau e outro completamente diferente depois do café expresso.
Meu café preferidoO Diário de Bordo anota:
Inovação não nasce em gabinete; nasce prestando atenção no resíduo que todo mundo joga fora. E parcerias de sucesso dependem tanto da tecnologia quanto do timing exato de entender o humor de quem assina o cheque.



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