O Encontro do "Agur" com a Guitarra: Ancestralidade entre o País Basco e o Pampa
Em 2011, eu acabava de regressar de um período sabático na Europa. Na bagagem, trazia uma leve frustração pela dificuldade de comunicação que encontrei no País Basco, mas também uma sede renovada de entender de onde eu vinha. Foi nesse retorno que o meu "cumpa" Eugênio Moisés, da Cardoso e Corrêa, apresentou-me um refúgio sonoro: o programa de Demétrio Xavier.
Na FM Cultura 107.7, descobri um caldeirão cultural sem igual. Demétrio — guitarrero, tradutor e intérprete magistral da obra de Atahualpa Yupanqui — misturava música, literatura, sociologia e a vida nas estâncias de São Pedro com uma riqueza imensa.
O Momento do "Agur"
A minha sintonia com o programa era total. Certo dia, Demétrio lançou uma pergunta no ar: o que significava a palavra "Agur", que Yupanqui dizia ao final da música Madre Vasca?
Como eu já estava mergulhado nas pesquisas sobre a diáspora basca (muito influenciado pela leitura de "A Alma Basca", da nossa presidente da Casa Basca RS), respondi por e-mail no mesmo minuto: Agur é a saudação basca por excelência. Pode ser um "olá", um "ó de casa", ou, naquele contexto da canção, um adeus carregado de reverência.
Vascos Viejos y Abuelos
Daquele e-mail nasceu uma amizade e uma colaboração frequente. Comecei a escrever poemas para o programa, explorando a nossa ancestralidade — os avôs que vieram, as raízes que ficaram e o que nos tornamos aqui. Acompanhei a trajetória do programa da rádio até a TV, sempre fascinado pelas similaridades que nos unem.
Bascos e gaúchos partilham mais do que o solo; partilham o ethos:
O domínio do pastoreio e o corte do cordeiro.
A indumentária: a boina (txapela), a faixa na cintura e a alpargata.
A arte da palavra: o que para nós é o Pajador, para eles é o Bertsolari.
Essa conexão com o Demétrio Xavier foi o "combustível" que faltava para entender que o meu sabático não tinha terminado na Europa; ele continua aqui, a cada vez que a agulha da vitrola toca um tema de Yupanqui ou que a gente saúda as raízes com um "Agur" bem sentido.
A leitura tem lugar aqui. A ancestralidade também.
Duas dicas de leitura do Demétrio aqui:
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